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“Meu pai conta que eu vendia até urubu voando”, revela Sarah Pires

Aos 30 anos, a empreendedora tocantinense se divide entre os cuidados com a filha de três anos e a gestão de dois negócios em Palmas
PorRedação
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“Existem dois tipos de empreendedor: aquele que nasce e aquele que se desenvolve. Eu já nasci empreendedora, a vida inteira eu vendi e comprei coisas”, conta Sarah Pires, que cresceu numa fazenda em Juarina, no interior do Tocantins. Na pequena cidade de 1.200 habitantes, a adolescente fazia crochê, revendia cosméticos e tudo que podia. “Eu tirava cocô de galinha do poleiro todos os dias e pensei: tenho que fazer algo, não ganho nada com isso. Foi então que passei a vender para os vizinhos como adubo para plantas.”

Essa foi umas das inovações da menina Sarah, cujo exemplo veio de dentro de casa. “Meu incentivo foram meus pais, que são agricultores familiares e donos de uma pequena oficina de moto. Meu pai fala que eu vendia até urubu voando”, conta a jovem. Oinsight para empreender formalmente começou quando Sarah estava na faculdade, aos 20 anos. À época, ela trabalhava como secretária executiva e ganhava R$ 1.200. Logo que entrou no mercado do Jornalismo, ficou inconformada ao se deparar com o salário médio de um profissional do ramo. “Meu raciocínio era: não vou passar quatro anos na faculdade para receber o mesmo. Está errado, não aceito isso para minha vida”, relembra.

A partir daí, em paralelo ao estágio, começou a planejar o caminho para empreender. “Pensei logo em um negócio voltado para as redes sociais porque estava em alta e eu queria algo diferente.” Foi então que, ao invés de monografia, optou por um projeto para concluir a graduação na Universidade Federal do Tocantins. Depois de um ano e meio de pesquisa, fechou parceria com um estabelecimento em Palmas (TO) e propôs, de forma remunerada, uma assessoria em mídias sociais, até então algo inovador no mercado.

Desde que iniciou o projeto da faculdade, passou a criar sua atual empresa, chamada Kiw Assessoria de Comunicação. Após ser aprovada com nota máxima na Universidade, Sarah apresentou artigos em congressos pelo Brasil e, posteriormente, transformou o projeto no capítulo de um livro que já foi, inclusive, publicado. Em paralelo à atuação como jornalista em emissoras do estado, Sarah seguia captando clientes para seu negócio. Para se formalizar como MEI, ela recebeu apoio do Sebrae: “Procurei o Sebrae para me estruturar e me capacitar”. Recentemente a empresa de Sarah completou seis anos no mercado e coleciona clientes de renome, como Sabin, Secoop e Energisa.

O produtor conectado

Sarah costuma dizer que todo negócio nasce da dor de alguém. Um dia, enquanto fazia o trecho São Paulo x Palmas, Sarah questionou o passageiro ao lado sobre que motivava a ida dele ao seu estado natal. Ao ouvir que aquele senhor estava à procura de informações sobre o agronegócio tocantinense, o instinto de Sarah a alertou: “Cresci em fazenda, meus pais são produtores rurais, eu gosto disso e sou jornalista”.

A partir daí, Sarah mergulhou no universo do agronegócio. Participou de inúmeras consultorias do Sebrae, que ofereceu a ela a oportunidade de participar do Empretec, programa de formação de empreendedores criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), promovido em 40 países e exclusivo do Sebrae no Brasil.

Foi no Empretec que nasceu o Tocantins Rural. Foi uma felicidade porque o networking lá dentro é muito importante. Todo o nome que o site tem se deve ao que recebi do Sebrae.

Desde 2019, o portal Tocantins Rural está no ar por meio das plataformas Youtube, Facebook, Instagram e até TikTok. O site ganhou, inclusive, um programa de TV que vai ao ar no SBT de segunda a sexta-feira. Nesse caminho, Sarah confessa ter enfrentado dificuldades para lidar com questões administrativas, sobretudo com gestão de pessoas, de recursos e de crise. Mas ela aprendeu no Empretec que precisava sair do operacional e partir para o estratégico: “A chave virou e eu deixei de sofrer tanto quanto antes”.

Apesar do retorno financeiro da Kiw e do Tocantins Rural ter demorado de dois a três anos, Sarah explica que não visa à quantidade, mas sim à qualidade dos clientes.

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Quem empreende tem que ter resiliência e saber que leva um tempo até o negócio maturar. Eu não busco 30, 40 nem 100 clientes. Busco qualidade dos serviços, por isso que não concorro por preço, mas sim pelo valor que entrego e que é o diferencial. O Sebrae me ajudou 100% no que eu sou hoje, sempre caminhamos juntos.

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Cada fase carrega uma lição

Sarah é um exemplo de superação quando se trata de conciliar o profissional e o pessoal. Ela foi mãe solo em 2020, durante a pandemia, período difícil para os empreendedores. Durante a gestação, teve descolamento da placenta e Covid-19, o que levou a filha, Isis, a nascer prematura, pesando apenas 1,7 kg. No período em que precisou ficar internada, Sarah não podia ter acompanhantes no hospital e, para os negócios não pararem, geria a empresa de lá mesmo, com seu notebook.

Após receber alta e passar um período com os pais em Goiás, as coisas melhoraram de forma gradual, mas Sarah continuava passando as noites em claro. “Quantas e quantas vezes escrevi e editei textos, até atendi clientes, enquanto a Isis mamava. Eu resolvia tudo de madrugada porque ela não dormia”, relembra. Quando foi investigar a falta de sono da filha, veio o diagnóstico de autismo. “Até descobrir o que era, passei muito tempo sem dormir. Ali cogitei largar tudo, mas o tratamento me fez persistir”, relembra.

Atualmente, a prioridade de Sarah é maternar a pequena Isis, de 3 aninhos, e entra na rotina para trabalhar presencialmente do escritório um período por dia, quando ela aproveita para fazer reuniões, buscar tendências e se capacitar para levar inovação para seus negócios e os clientes. De olho no futuro, a tocantinense pretende trabalhar menos e ganhar mais. “Esse é o plano de todo mundo, mas eu pretendo dedicar mais e mais tempo à minha filha e acompanhá-la nas terapias”, planeja.

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