5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.comAcesse conteúdos jornalísticos, nos mais variados formatos, focados na informação como aliada das micro e pequenas empresasMon, 05 Feb 2024 14:47:11 +0000pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.4.35Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/inovacao-e-tecnologia/startup-da-amazonia-conquista-clientes-nos-eua-com-cafe-de-acai/Mon, 05 Feb 2024 14:46:32 +0000https://www.emedist.com/?p=20158Participar do Inova Amazônia proporcionou uma mudança no caminho da empresa Engenho Café de Açaí, do Amapá. No ano passado, a startup já havia conquistado o mercado alemão e agora fechou uma venda de 2,5 toneladas da bebida aromática para os Estados Unidos. O produto – que se assemelha ao café e é feito a partir do caroço do açaí – é um sucesso porque promove a redução de impactos ambientais com o descarte da matéria-prima e gera emprego e renda para a população local. O negócio dispõe de registro de marca, selo de origem, rastreamento, procedência e certificações.

“Fechar esse contrato para exportar 2,5 toneladas para os EUA foi realmente gratificante. Para mim e para a comunidade, representa não apenas um marco em nossos esforços de expansão internacional, mas também um reconhecimento do potencial e da qualidade do nosso produto, além de abrir portas para novas oportunidades de negócios”, conta a proprietária da Engenho Café de Açaí, Valda Gonçalves.

Segundo ela, há conversas avançadas para levar o produto para a Turquia e a Itália, o que mostra o interesse internacional crescente. “A estimativa é alcançar cerca de R$ 1 milhão em faturamento, em 2024, o que é um salto significativo em comparação com anos anteriores”, completou a gestora que, com a nova demanda, contratou mais quatro colaboradores para a equipe.

O café de açaí, como ficou conhecido, é uma bebida com características parecidas às do café tradicional, já que o processo de produção é o mesmo. De acordo com os proprietários da startup, o consumo dessa bebida aromática traz inúmeros benefícios à saúde pelo fato de reunir quantidades significativas de vitaminas A, D, E, K, minerais, fibras, antioxidantes, entre outros.

Como começou

A empresa inovadora foi criada em 2020, durante a pandemia. A ideia de investir no produto surgiu de um problema que a proprietária da Engenho Café de Açaí e o marido viam próximo de casa, com o descarte em lugares inadequados dos resíduos sólidos das agroindústrias do açaí. A empresária estima que cerca 24 toneladas de caroços do açaí, somente nas cidades de Macapá e Santana, iriam para o lixo todos os meses. Passar pelo programa Inova Amazônia, do Sebrae, foi fundamental para astartup conquistar aos resultados atuais.

O apoio do Inova Amazônia foi fundamental para chegarmos aonde estamos. Foi através do programa que tivemos nossa primeira experiência internacional, e isso abriu muitas portas para nós. Estamos muito gratos por todo o suporte e a orientação que recebemos.

Valda Gonçalves, proprietária da Engenho Café de Açaí.

O programa é uma estratégia focada em fomentar, apoiar e desenvolver pequenos negócios,startups, empreendimentos e ideias inovadoras alinhadas à bioeconomia que tenham como premissa a atuação direta ou indireta para preservação ou uso sustentável dos recursos da biodiversidade do bioma. No total, já foram investidos R$ 23 milhões em ações de aceleração, bolsas, eventos, Sebraetec e missões internacionais.

“Resultados como o da Engenho Café de Açaí demonstram a capacidade que os produtos amazônicos têm de ganhar mercado nacional e internacional. Tenho certeza de que muito em breve teremos outros produtos tão conhecidos mundialmente como hoje é o açaí”, comenta o analista de inovação do Sebrae Thyago Gatto.  “É um projeto efetivo e eficaz e mostra que recursos aplicados estão sendo importantes para a região e para o desenvolvimento de empresas da bioeconomia”, completa.

Thyago Gatto também ressalta os ganhos com a promoção de negócios sustentáveis a partir da iniciativa. “Promover o surgimento e o fortalecimento de empresas inovadoras da bioeconomia é o melhor caminho para manter a floresta em pé, demonstrando que a busca pelo lucro deve ocorrer, mas é possível fazer isso em harmonia com a natureza.”

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/cultura-empreendedora/produtores-paranaenses-apostam-na-inovacao-para-valorizar-produtos-regionais/Thu, 04 Jan 2024 20:43:53 +0000https://www.emedist.com/?p=19560O Paraná conta com uma rica diversidade de produtos alimentícios regionais que possuem certificação e reconhecimento a nível nacional, como o mel, morango, vinho, goiaba, aguardente de cana e cachaça e queijo. Com apoio do Sebrae/PR e para valorizar e torná-los mais competitivos no mercado, produtores do estado estão apostando na inovação.

Como é o caso das Balas de Banana de Antonina, produto que conquistou o selo de Indicação Geográfica (IG) em 2020. Rafaela Takasaki Corrêa, sócia e diretora executiva da Balas de Banana de Antonina, conta que, há aproximadamente cinco anos, a empresa iniciou um processo de reposicionamento da marca, desenvolvendo estampas que refletissem a identidade e elementos da cultura local.

“Nossos clientes solicitavam produtos como lembrança e viam a marca como algo que desejavam como presente e recordação. Foi então que surgiram canecas, caixinhas diferentes de bala, bolsas, aventais, entre outras coisas. Notamos aumento na procura por turistas e clientes habituais, mas também de empresas em busca de presentes originais. Essa nova demanda levou-nos a desenvolver kits com nossos produtos e itens de produtores locais”, lista Rafaela.

A empreendedora conta que um exemplo desta transformação para agregar valor é o “Kit Caiçara”, que oferece as duas marcas de balas de banana com IG, além de incluir a cachaça de Morretes, farofa de mandioca com bala de banana e bananinha seca, todos representativos da região.

Kit desenvolvido com produtos regionais. Fotos: divulgação.

“Este kit tem como objetivo proporcionar à pessoa que o recebe uma autêntica experiência gastronômica e cultural caiçara”, conclui.

Fomento estadual

A consultora do Sebrae/PR, Maria Isabel Guimarães, lembra que a instituição realizou um curso de vendas, com patrocínio do Sicoob, entre os anos de 2021 e 2022, com participantes do Fórum Origens Paraná, que tem como missão fomentar as Indicações Geográficas (IGs) e as Marcas Coletivas (MCs) para impulsionar a inovação e a diferenciação. Segundo ela, os treinamentos, que aconteceram de forma on-line, incentivaram os produtores a inovar e expandir seus negócios, melhorando as vendas e explorando o potencial sensorial e a valorização dos produtos originais.

“Através de iniciativas como o Fórum Origens Paraná, produtores estão sendo encorajados a colaborar e compartilhar ideias inovadoras, expandindo o uso de produtos típicos da região para além de suas aplicações tradicionais”, acrescenta Maria Isabel.

De acordo com a consultora, um novo curso no mesmo formato deve acontecer em 2024 para as novas empresas que conseguiram, recentemente, o depósito de IG junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Maria Isabel acrescenta que o objetivo do Fórum Origens Paraná é aumentar a competitividade e promover o desenvolvimento sustentável nas regiões do Paraná. Para atingir essa meta, o Fórum está em busca de soluções para aprimorar e valorizar os produtos das IGs e Origens do Paraná.

Nova linha de produtos de beleza e bem-estar foi inspiradas nas balas de banana.

Cosméticos

A proprietária da Balas de Banana de Antonina lembra do lançamento de uma linha de cosméticos, em novembro de 2023, em parceria com a empresa Sallie, que desenvolveu produtos que refletissem a identidade visual e o aroma das balas de banana.

“A equipe da Sallie desenvolveu produtos como esfoliantes corporais, manteiga corporal, aromatizadores de ambiente e sabonetes líquidos, todos inspirados na banana. Esses produtos não utilizam subprodutos das balas de banana devido a restrições no setor cosmético, mas a equipe trabalhou para criar essências que evocassem as memórias afetivas relacionadas à fruta e à bala”, explica.

A empresária de Antonina afirma que o lançamento foi um sucesso e que a parceria é vista como uma oportunidade para fortalecer ambas as marcas, especialmente por priorizar a regionalidade e colaborar com uma empresa local.

Cafés especiais

Outro exemplo está na região noroeste do Paraná. Fernando Roberto Rosseto é proprietário do Sítio Eliza, que produz cafés especiais, e presidente da Associação dos Produtores de Café de Mandaguari (Cafeman). Ele destaca a busca constante por inovação e diferenciação no mercado, enfatizando a importância de desenvolver produtos de qualidade que se diferenciem dos convencionais.

Licor é produzido com o café da região Noroeste do Paraná.

Além de ressaltar a variedade de produtos que podem ser criados a partir do café, mantendo sua essência em termos de sabor e aroma, Rosseto também menciona a importância de parcerias para o desenvolvimento de novos produtos, citando o exemplo de uma colaboração que resultou em chocolate com café. Ele vê essas colaborações como fundamentais para a inovação e o crescimento, especialmente quando se trata de produtos artesanais.

“Também temos o chocolate com café, as drágeas e o licor com café. Do café especial, passamos para o licor de café, que é uma produção artesanal criada pela nossa família, e para o chocolate com café, que é uma parceria que a gente fez com uma fábrica de chocolate. Quem sabe daí possam surgir mais produtos”, comenta o empresário.

Ele aborda os desafios da inovação, como a incerteza sobre a aceitação do mercado e o medo de falhar, mas enfatiza que é essencial arriscar e sair da zona de conforto para criar oportunidades de mercado.

“Se você não empreender, sair do comodismo em que se encontra e não inovar com novos produtos, permanecerá sempre no mesmo lugar. Quanto mais desenvolver, quanto mais criar, e quanto mais perder o medo de ter um produto diferente, mais chances terá de se destacar no mercado. Essas são as oportunidades que surgem com os novos produtos. Para nós, isso é muito positivo: é algo que criamos, uma oportunidade adicional, uma gama maior de produtos que podemos incluir”, acrescenta Rosseto.

Rosseto expressa surpresa e satisfação com a reação positiva dos clientes aos novos produtos, vendo isso como uma validação do caminho escolhido pela empresa. Ele menciona o potencial para desenvolver ainda mais produtos baseados em café, sugerindo possibilidades como sabonetes, shampoos, cosméticos e doces.

Tudo com erva-mate

A produtora de erva-mate, Eva Blaszczyk, de São Mateus do Sul, conta que a empresa Vivenda do Mate realizou vários testes para descobrir novas maneiras de utilizar a erva-mate. Além de chás e do tradicional chimarrão, eles descobriram que a mesma matéria-prima pode ser utilizada de diversas maneiras, desde bebidas como o tererê até pratos doces, salgados, drinks e coquetéis.

A erva-mate pode ser diversamente aplicada em bebidas como o tererê, além de uma variedade de pratos doces e salgados, drinks e coquetéis.

No início do trabalho, a empresa enfrentou resistência da comunidade, mas superou esses obstáculos ao trabalhar no aspecto sensorial, explorando aromas e sabores que remetem à erva-mate.

Hoje, o orgulho da empresa está na diversidade de produtos criados utilizando a erva-mate, indo além das formas tradicionais de consumo. E a gama de produtos é diversa: brigadeiro, bolo, drinks, coquetéis, licor, cachaça, pizza, doces, cerveja, pão, sabonete, kombucha, pudim, macarrão, macaron, palitinhos de pimenta com erva-mate, sorvete, ravióli, pierogi e até mousse.

“O saber-fazer envolvido também é um diferencial; resgatamos técnicas, processos e conhecimentos utilizados por nossos ancestrais, conferindo um toque especial ao produto. Essa abordagem está alinhada com o conceito de Indicação Geográfica (IG) e utilizamos esses elementos para promover a matéria-prima de forma natural, sem forçar. Reconhecemos que há espaço para melhorias e esse é o nosso próximo passo”, antecipa Eva.

Atualmente, segundo a produtora, a empresa Vivenda do Mate está desenvolvendo um plano estratégico de marketing para compreender melhor o público-alvo e concentrar esforços nas divulgações dos produtos, seguindo um caminho de aprimoramento contínuo.

IG no Paraná

Atualmente, o Estado possui 13 produtos com Indicação Geográfica. São eles: Aguardente de Cana e Cachaça de Morretes, o Barreado do Litoral do Paraná, a Bala de Banana de Antonina, o Melado de Capanema, a Goiaba de Carlópolis, o Queijo de Witmarsum, as Uvas de Marialva, o Café do Norte Pioneiro, o Mel do Oeste, o Mel de Ortigueira, a Erva-mate São Matheus – do Sul do Paraná, o Morango do Norte Pioneiro e os Vinhos de Bituruna.

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/cultura-empreendedora/1a-padaria-lixo-zero-do-brasil-oferece-menu-afetivo-e-doses-de-sustentabilidade/Fri, 08 Dec 2023 14:10:44 +0000https://www.emedist.com/?p=19037O que vem à cabeça quando se pensa em um lugar aconchegante para tomar aquele café da manhã delicioso? “PA-DÓ-CA”. Cátia Lopes (44) e Camila Marconi (41) utilizaram o apelido carinhoso de padaria para alavancar um negócio de sucesso com foco na cozinha afetiva e na sustentabilidade. Em 2023, a PADÓCA DO CA, até então conhecida no Lago Norte, bairro brasiliense, ganhou repercussão nacional ao se tornar a 1ª padaria Lixo Zero do país. A conquista reflete a reinvenção de um modelo de negócio tradicional e o compromisso das sócias com o meio ambiente.

A história da PADÓCA DO CA começou no auge da pandemia, quando Cátia, à época gerente comercial de marca de moda, e Camila, da área de eventos corporativos, foram drasticamente impactadas em suas funções e decidiram inovar. A ideia de abrir uma padaria com toque especial foi encarada como oportunidade para a transição de carreira e levada muito a sério. “Por mais que a gente acredite no potencial do negócio, o pé precisa estar bem no chão, pois o desafio até conseguir o que foi planejado é significativo”, afirma a sócia.

Após sete meses de planejamento meticuloso e capacitações do Sebrae, a PADÓCA DO CA nasceu como uma padaria com propósito afetivo. Segundo Cátia, a proposta é oferecer comida de qualidade com medidas concretas para reduzir, reutilizar e reciclar seus resíduos. Esse compromisso ambiental levou o negócio a, dois anos depois de abrir as portas, virar referência nacional ao atingir a taxa de 96,2% de desvio de aterro e se tornar a 1ª padaria lixo zero do Brasil.

A partir do desafio global da produção de resíduos, as empreendedoras destacam a importância da conscientização.

Acreditamos que todos somos responsáveis por cuidar do meio ambiente e a PADÓCA busca ser um agente de transformação na construção de uma comunidade mais sustentável. Nossa missão é proporcionar aos clientes uma experiência afetiva num ambiente confortável e familiar, sempre levando em consideração a preservação do meio ambiente.
Cátia Lopes, sócia da PADÓCA

Na prática, a padaria não utiliza sacos de lixo para descarte de recicláveis e vidro,  os resíduos orgânicos são direcionados ao @projeto_compostar e o cardápio em QRCode nas mesas reduz o uso de papel. Além de escolher fornecedores que adotam boas práticas, a empresa incentiva o comércio local, adquirindo bebidas em garrafas retornáveis ou de fontes sustentáveis. “Temos o compromisso contínuo de buscar práticas inovadoras e sustentáveis, inspirando outras empresas e a comunidade a adotarem ações responsáveis em prol do meio ambiente”.

As sócias “ralaram” para adaptar o negócio às diretrizes Lixo Zero mantendo a qualidade dos produtos. Até descobrirem como manter a maciez do pão sem usar o plástico filme na produção da massa, por exemplo. “Essa etapa foi desafiadora, gerou desperdício e muita dor de cabeça”, relembram. Depois de inúmeros testes, foi hora de escalar a produção com o material alternativo para a massa descansar, em conformidade com a política de saúde e segurança. “Atualmente, um consultor gastronômico e uma nutricionista ajudam a encontrar soluções seguras para evitar o uso de plástico nos alimentos produzidos na padaria”.

Padaria e Pessoas

A formação e retenção da equipe é um ponto de atenção para as empreendedoras, que oferecem constante treinamento aos profissionais. “Já fizemos o Empretec e, por meio do programa ALI, do Sebrae, uma especialista em equipe autogerenciável nos auxilia com soluções como contratações, feedbacks e execução de tarefas”, comenta Cátia. As sócias visam vendas imediatas e mais lucrativas, melhorando a  rentabilidade.

“A PADÓCA passou por todas as fases de correções, incluindo ajustes na cozinha, operação, produção e sistemas que não estavam funcionando. E essas mudanças não foram fáceis”, revela Cátia. Hoje, a padaria mantém contratos consistentes com pequenas e grandes empresas, fornecendo pães, café da manhã e almoços diariamente. Os próximos planos de Cátia Lopes e Camila Marconi incluem obter financiamento para comprar a loja ao lado da PADÓCA, concretizando 100% do plano de negócios criado em 2020, e criar filiais inteligentes em dois anos.

Menu afetivo

O cardápio da PADÓCA DO CA resulta de uma abordagem afetiva e consciente. Os pães, por exemplo, passam por uma fermentação lenta, permitindo que a natureza trabalhe seu glúten e conferindo um sabor especial. Além do tradicional pão francês, a padaria oferece opções com abóbora, batata, cereais e croissants, além de ser famosa pelas Carolinas e pelo pão com requeijão crocante. O zelo pelo cliente também é prioridade: “Tratamos o cliente pelo nome, sabemos o que gosta de comer, onde mora e quais dias está conosco. Isto facilita o encantamento e a antecipação para o atendimento”, completa a sócia Camila Marconi.

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/inovacao-e-tecnologia/produtores-de-indicacoes-geograficas-debatem-alternativas-para-aumentar-a-producao-de-cafes-com-origem-controlada/Sat, 02 Dec 2023 16:04:18 +0000https://www.emedist.com/?p=18867Triplicar a quantidade de sacas de café especiais exportadas. Este é um dos objetivos do movimento Origem Controlada Café, que reúne os produtores rurais de 14 Indicações Geográficas (IGs) e cobre uma área de 411 municípios, com potencial de incluir quase 100 mil produtores do país. Deste sábado (2) até segunda-feira (4), os representantes de cada localidade estão reunidos em Venda Nova do Imigrante (ES) para avaliar estratégias de como alavancar as vendas do produto. A iniciativa é fruto do encontro dessas associações para o projeto Digitalização das IGs de Café, plataforma que está sendo desenvolvida juntamente com o apoio do Sebrae, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto CNA.

“O potencial de produção de cafés especiais dos produtores instalados nessas regiões demarcadas é de cerca de 38 milhões de sacas por ano. Atualmente, o Brasil exporta cerca de 10 milhões de sacas de cafés especiais por ano. É a constatação de que a estratégia do Sebrae no apoio às Indicações Geográficas e a sua implementação junto com entidades parceiras pode impactar o mercado de cafés”, comentou a analista de Inovação do Sebrae Hulda Giesbrecht, que participa do encontro.

O diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado de Minas Gerais, Juliano Tarabal, destacou outros benefícios da parceria entre as entidades. “A grande conquista que a gente tem é esse alinhamento, essa governança das regiões do café brasileiro em prol de representar os produtores, promover o controle das indicações geográficas e a promoção das nossas regiões”, apontou.

Sobre a plataforma

A plataforma Digitalização das IGs de Café está em desenvolvimento e, em breve, vai reunir as informações sobre os sabores e as características singulares dos cafés especiais com origem controlada: procedência, aroma, cultura, terroir, qualidade, região de produção, se o produtor tem preocupações sociais e ambientais, entre outros dados.

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Conhecimento

Já em Alegre (ES), os produtores rurais das Indicações Geográficas do Espírito Santo, em particular do Caparaó, estão reunidos, nesta sexta-feira (1º) e sábado (2), no 13º Encontro de Cafeicutores do Instituto Federal do Espirito Santo (IFES) – Campus de Alegre. O evento tem o objetivo de intensificar a cooperação entre produtores, entidades e instituições em relação aos cafés especiais. “A região está investindo em discutir e ampliar o conhecimento dos produtores sobre as melhores práticas de produção, sobre as IGs, como implementar o controle da qualidade e como se integrarem na plataforma nacional Origem Controlada”, destacou Hulda Giesbrecht, que fará a palestra inicial do evento.

A região do Caparaó está localizada na divisa entre o Espírito Santo e Minas Gerais, área caracterizada pelo bioma da Mata Atlântica e com relevo montanhoso, que contribui para este tipo de produção de café. Sua área contempla 16 municípios, sendo dez no Espírito Santo e seis em Minas Gerais.

Indicações Geográficas

As Indicações Geográficas (IG) são ferramentas coletivas de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. Elas possuem duas funções principais: agregar valor ao produto e proteger a região produtora.

O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível. Essa herança abrange vários aspectos relevantes: área de produção definida, tipicidade, autenticidade com que os produtos são desenvolvidos e a disciplina quanto ao método de produção, garantindo um padrão de qualidade. Tudo isso confere uma notoriedade exclusiva aos produtores da área delimitada.

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/cultura-empreendedora/produtores-de-mandaguari-e-regiao-buscam-a-primeira-denominacao-de-origem-para-cafe-paranaense/Fri, 01 Dec 2023 19:46:49 +0000https://www.emedist.com/?p=18821

Em Mandaguari, no noroeste do Paraná, o café é mais do que uma bebida degustada pura ou em harmonia com pratos doces ou salgados. O grão faz parte da história do município que, mesmo após a geada de 1975, que devastou lavouras paranaenses, deu sequência ao cultivo e se tornou referência na produção de café de qualidade no estado.

Agora, os produtores dos grãos deram um largo passo para ganhar status de “celebridade” entre os cafés do Brasil. Isso porque foi depositado, nessa quinta-feira (30), o protocolo para a obtenção da Indicação Geográfica (IG) para o “Café de Mandaguari”, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A solicitação é para que o café seja reconhecido com a IG por Denominação de Origem (DO), a primeira do Paraná para cafés especiais na modalidade – segundo o INPI a DO designa “produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos”.

Cafeicultores de seis municípios candidatos a se enquadrar na IG representam cerca de 200 propriedades produtoras. Foto: Divulgação.

A expectativa é de que o processo, da análise do INPI até a concessão, leve menos de um ano. Os 45 produtores que compõem a Associação dos Produtores de Café de Mandaguari (Cafeman) esperam se tornar mais competitivos, negociar as sacas de café por valores mais elevados e abrir possibilidades de exportação. Incialmente, sete agricultores estão aptos a adotar o signo distintivo da IG “Café de Mandaguari” logo após a chancela, mas a tendência é que mais produtores adotem as práticas do Caderno de Especificações Técnicas para usufruir das vantagens da IG.

Cafeicultores de seis municípios, que representam cerca de 200 propriedades produtoras, podem se enquadrar para receber a IG: Mandaguari, Marialva, Jandaia do Sul, Apucarana, Cambira e Arapongas. A região possui terra roxa, resultado da decomposição de rochas basálticas, ricas em nutrientes, como o ferro. É atravessada pelo Trópico de Capricórnio, que proporciona equilíbrio térmico, com noites frias e dias quentes, e tem, em sua maioria, produções familiares de café.

Só em Mandaguari são cerca de 630 hectares de área plantada, sendo que a produção anual média gira em torno de 850,5 toneladas – entre as principais variedades estão a Icatu Vermelho, Catuaí Vermelho, Mundo Novo, IPR 106 e IPR 107. A qualidade dos grãos se destaca pela consistência densa e sabor frutado, com notas de chocolate e caramelo, além de uma acidez típica equilibrada, fatores vinculados à região. Além disso, o produto ostenta premiações de qualidade em concurso como o Café Qualidade Paraná 2021 e o Sexto Concurso Nacional ABIC de Qualidade do Café.

Grãos possuem mais dulçor em razão de características da região. Foto: Divulgação

Bactérias encontradas nas lavouras em Mandaguari não consomem o açúcar dos grãos, mantendo o dulçor da bebida, o que é um diferencial em relação a cafés de outras regiões do Brasil. Além disso, no nosso município e no entorno, essas bactérias não alteram outras características sensoriais, mantendo a característica de cada variedade.
Fernando Rosseto, produtor e presidente da Cafeman.

A família Rosseto está na atividade há 71 anos, em Mandaguari. Em 12 hectares, a produção de cafés especiais, adequados conforme critérios para a obtenção da IG, ocupa 30% da área.

“Buscamos a valorização do nosso produto e queremos que mais agricultores familiares aprimorem as técnicas de produção para se encaixarem nas especificações técnicas de IG. Será possível ter rentabilidade diferente, com a saca valendo quase o dobro do preço atual”, comenta Rosseto, na quarta geração de produtores da família.

Produtores esperam valorização da saca de café após conquista da IG. Foto: Divulgação

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Mobilização

O trabalho para a busca da IG começou em fevereiro de 2022, quando o Sebrae/PR deu início à sensibilização de agentes locais e de produtores para a formação de uma nova associação para a classe.

Ao longo de 2022 e 2023, foram realizados diversos eventos, reuniões, encontros, tanto para a organização dos produtores rumo à busca pela IG quanto para a capacitação do grupo, a fim de manterem ou elevarem a qualidade de suas produções.

“O depósito do pedido de DO, o primeiro do Paraná para cafés especiais, coroa o esforço coletivo. O produto terá mais visibilidade, notoriedade e valor agregado para novos negócios na região”, comenta o consultor do Sebrae/PR, Luiz Carlos da Silva.

Projeção de peças com signo distintivo. Foto: Divulgação

A prefeita de Mandaguari, Ivonéia Furtado, destaca que a DO será motivo de orgulho para o município.

“Temos orgulho de ter em nossa cidade e região o primeiro pedido de Denominação de Origem para cafés especiais no nosso Estado. Isto demonstra a grandeza da nossa cidade e dos nossos agricultores e cidadãos”, comenta a prefeita.

Estão envolvidos no processo, a Cafeman, o Sebrae/PR, a Prefeitura de Mandaguari, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo, a Cooperativa Agropecuária e Industrial Cocari, o Sistema Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Produção de café em Mandaguari resistiu à crise causada pela geada de 1975, que devastou cafezais paranaenses. Foto: Divulgação
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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/inovacao-e-tecnologia/acordo-vai-impulsionar-regioes-que-produzem-cafes-com-indicacao-geografica/Fri, 10 Nov 2023 12:35:58 +0000https://www.emedist.com/?p=18253A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) assinou, nessa quarta-feira (9), um Termo de Cooperação com 13 entidades que representam as regiões que produzem cafés especiais e com Indicação Geográfica (IG). A parceria foi firmada durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG). A iniciativa tem o intuito de fortalecer o associativismo e a integração com soluções tecnológicas e estratégias para estimular a comercialização dos produtos locais. O acordo é resultado do encontro dessas associações para o projeto Digitalização das IGs de Café, plataforma que está sendo desenvolvida juntamente com o apoio do Sebrae, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto CNA.

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É um momento histórico para as Indicações Geográficas de café do Brasil que, a partir da iniciativa do Sebrae, do ICNA e da ABDI, com o desenvolvimento da plataforma de gestão e rastreabilidade, se uniram e se fortaleceram numa estratégia para promover os cafés com origem e qualidade controladas no mercado nacional e no exterior

Hulda Giesbrecht, coordenadora de negócios de base tecnológica do Sebrae.

Além de integrar esforços em conjunto, as entidades se comprometem em fortalecer as governanças das regiões, disseminando normas de origem, qualidade e boas práticas; elaborar políticas e estratégias de incentivo à produção de cafés especiais; implantar um comitê das regiões produtoras; criar uma estratégia de marca para o café do Brasil, entre outras ações.

“Essa união entre as associações e cooperativas juntamente com a BSCA, por meio desse acordo, demostra o grande potencial das regiões produtoras com origem controlada, que envolvem cinco estados, 411 municípios e quase 100 mil produtores, que em sua maioria são pequenos negócios”, ressaltou Hulda.

As entidades que assinaram o Termo de Cooperação são:

  • Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA)
  • Federação dos Cafeicultores do Cerrado
  • Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana
  • Associação dos Cafeicultores Sudoeste de Minas
  • Conselho do Café da Região de Garça
  • Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas
  • Associação dos Cafeicultores do Campo das Vertentes
  • Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó
  • Federação dos Cafés do Estado do Espírito Santo
  • Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira
  • Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo
  • Conselho do Café da Região Mogiana de Pinhal
  • Associação dos Cafeicultores da Canastra
  • Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia

Sobre a plataforma

A plataforma em questão está em desenvolvimento e, em breve, vai reunir as informações sobre os sabores e as características singulares dos cafés especiais com origem controlada: procedência, aroma, cultura, terroir, qualidade, região de produção, se o produtor tem preocupações sociais e ambientais, entre outros dados.

Indicações Geográficas

As Indicações Geográficas (IG) são ferramentas coletivas de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. Elas possuem duas funções principais: agregar valor ao produto e proteger a região produtora.

O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível. Essa herança abrange vários aspectos relevantes: área de produção definida, tipicidade, autenticidade com que os produtos são desenvolvidos e a disciplina quanto ao método de produção, garantindo um padrão de qualidade. Tudo isso confere uma notoriedade exclusiva aos produtores da área delimitada.

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/cultura-empreendedora/semana-internacional-do-cafe-destaca-o-potencial-das-indicacoes-geograficas-brasileiras/Tue, 07 Nov 2023 17:28:54 +0000https://www.emedist.com/?p=18133Os pequenos produtores de café que fazem parte das regiões com registros de Indicações Geográficas (IG) serão destaque na 11ª Semana Internacional do Café (SIC), que começa nesta quarta-feira (8), em Belo Horizonte (MG). Com apoio do Sebrae, produtores de 15 IGs vão marcar presença na feira, considerada um dos maiores eventos do setor cafeeiro no mundo. Nessa edição, o tema central do evento é “Origens produtoras – uma visão de futuro para uma nova cadeia do café”, com a perspectiva da sustentabilidade, considerada cada vez mais requisito obrigatório no mercado internacional.

No Brasil, o café é o produto que detém o maior número de registros de Indicação Geográfica, seja ela, a modalidade de Denominação de Origem (DO) ou Indicação de Procedência (IP). O registro é expedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). São grãos reconhecidos pelo alto padrão de qualidade, cultivados em territórios com características específicas com tradição do saber-fazer.

O Sebrae atua em 38 regiões produtoras de café de 14 estados. Atualmente, existem 16 selos de Indicação Geográfica, registrados no INPI, em 15 regiões brasileiras. A analista de Competitividade do Sebrae Nacional Carmen Sousa ressalta a importância do tema dessa edição. “Estamos conectados e o nosso projeto é reposicionar estrategicamente para o mercado nacional e internacional a cafeicultura Brasileira. Faremos isso integrando as diferentes regiões e atores da cadeia, construindo um portfólio de marcas, produtos e serviços, com o objetivo de agregar valor, gerando mais riqueza e desejo em todos os públicos estratégicos da cafeicultura Brasileira.”

“Atuamos para que o café do pequeno produtor com o registro de IG seja reconhecido ainda mais pela sua qualidade e sustentabilidade. Os cafés brasileiros diferenciados, certificados precisam ser mais valorizados no mercado interno e externo. O produtor está cada vez mais interessado em agregar valor ao produto. Já é realidade, há várias marcas ofertadas e à venda em várias cafeterias, empórios, micro torrefações, supermercados. O consumidor final é exigente e tem acesso a produtos de qualidade e com práticas sustentáveis, proporcionando acesso a experiência única, identificado em QR-code nas embalagens. Esse processo de inovação tem sido valorizado no mercado e a própria indústria tem se posicionado de forma diferente, com seus programas de qualidade, embalagens e linhas diferenciadas”, frisou.

A expectativa é que a SIC 2023 atraia, no pavilhão do Expominas, mais de 20 mil pessoas de até 40 países dispostas a se conectar e gerar oportunidades para toda a cadeia do café brasileiro no acesso a mercados, conhecimento e negócios.

Além de produtores e representantes de empresas, também participam pesquisadores, especialistas, baristas, mestres de torras e coffee lovers, conhecidos como apreciadores de café. O evento é gratuito para produtores rurais, empresas do setor e visitantes internacionais. Para pessoa física, haverá cobrança de ingresso, no valor de R$ 60. Clique aqui para se credenciar.

Experiência sensorial

O espaço do Sebrae vai promover o produtor, as regiões produtoras e o produto. Serão divulgados os cafés produzidos em regiões produtoras em que a instituição atua, entre elas, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Rondônia.  A analista de Competitividade conta que o visitante do estande terá uma experiência sensorial. “O público terá a chance de conhecer todo o processo de produção do café dessas regiões, a partir do cuidado que o produtor tem desde o plantio, da colheita e secagem até a xícara do consumidor final. Também vai poder degustar os cafés e ainda participar de dinâmicas, com direito a brinde especial”, enumera.

De acordo com Carmen, com apoio do Sebrae, os produtores também vão poder realizarcupping com compradores nacionais e internacionais. Além disso, o Sebrae vai oferecer gratuitamente o serviço de diagnóstico de ESG, que verifica boas práticas nos aspectos de sustentabilidade ambiental, social e governança dos negócios da empresa.

Programação

Os três dias da SIC 2023 vão permitir conexões com o que há de mais inovador no mercado de café, com compartilhamento de conhecimento entre os líderes e gestores do setor. A feira vai oferecer conteúdos, por meio de palestras, cursos, workshops, provas de café e degustações orientadas.

É o caso do debate sobre a digitalização das Indicações Geográfica que acontece no dia 8, na Sala de Inteligência de Mercado, com a presença da analista de Inovação do Sebrae Nacional Hulda Giesbrecht. Além dela, participam Antônio Carlos Tafuri, analista de produtividade e inovação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luciano Grassi Tamiso , COO da Agtrace, Marina Zimmermann, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e André Maltz, CEO da Agtrace.

Entre as competições, destacam-se o concurso Coffee of the Year Brasil 2023, em que os melhores cafés brasileiros da safra nova serão conhecidos (muitos deles são apoiados pelo Sebrae), o Encontro Mineiro das Cooperativas de Café – OCEMG e o Campeonato Brasileiro de Barista, cujo campeão irá representar o Brasil no campeonato mundial em 2024.

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/inovacao-e-tecnologia/nordeste-brasileiro-devera-se-tornar-uma-das-principais-rotas-de-cafes-especiais-do-pais/Fri, 27 Oct 2023 13:41:16 +0000https://www.emedist.com/?p=17981A região Nordeste se tornará, nos próximos anos, uma das principais rotas de cafés especiais cultivados em propriedades rurais centenárias, de forma sustentável, associada ao turismo de experiência. Para tanto, o Sebrae está traçando um plano de trabalho em parceria com produtores de café, consultores e gestores do agronegócio, que deverá mapear várias regiões com potencial para desenvolver a cultura. A expectativa é que daqui a quatro anos, quando o Brasil completará 300 anos da história do café, a região Nordeste seja um dos principais destinos turísticos para os apreciadores dessa bebida tão brasileira, que testemunha ao longo de décadas histórias de famílias que cultivam, além do grão, a cultura, tradição e hábitos de consumo da bebida em torno de uma mesa, seja em reuniões familiares, no ambiente de trabalho ou mesmo num bate-papo numa cafeteria.

Gestores das Agências do Sebrae nos estados do Nordeste estiveram reunidos durante a Festa do Boi, em Parnamirim, juntamente com alguns produtores e consultores para delinear as diretrizes do plano. A ideia é ampliar projetos exitosos como a Rota Verde do Café, na Serra de Baturité no Ceará, cuja região abriga a mais extensa Área de Proteção Ambiental (APA) daquele estado, perfazendo mais de 32 mil hectares. Além do município de Baturité, a rota abrange os municípios de Mulungu, Guaramiranga e Pacoti, que têm atraído milhares de turistas interessados em fazer passeios por fazendas seculares, conhecendo histórias de famílias rurais e apreciando aromas e sabores do melhor café de um gão puro, 100% arábica.

Gestores dos Sebraes do Nordeste, consultores e produtores de café definem um plano de trabalho para implantar a rota do café na região. Foto: Isaac Silva.

O café está presente na história do Brasil desde o século XIX, na época do Império. A gestora responsável pelo segmento de café do Sebrae Nacional, Carmen Sousa, é a maior entusiasta do plano da criação de uma rota do café nos estados do Nordeste. Carmen lembra que o Brasil é o maior produtor mundial e segundo maior consumidor de café, que em 2027 completa 300 anos de história da produção de grãos no país. Segundo Carmem, levantamento do Ministério da Agricultura, da Pecuária e da Pesca– Mapa, revela que o Brasil possui cerca de 300 produtores de café.

Segundo a analista técnica do Sebrae, a atuação da instituição no segmento ocorre com ações pontuais em 14 dos 17 estados produtores de café no Brasil, já tendo sido mapeadas 38 regiões nestas 14 unidades da Federação. “Temos um trabalho muito forte dentro das propriedades, atendendo aos produtores, além de ações pontuais em cafeterias em diversas localidades”, explica, lembrando que existem atualmente 15 selos de IG – Indicação Geográfica do café.

Carmen Sousa revela está sendo resgatada uma cultura de café muito antiga no Nordeste brasileiro, sobretudo no Ceará, em Pernambuco e na Paraíba.

Carmen Sousa é grande entusiasta da criação da rota do café no Nordeste. Foto: Isaac Silva.

“O Nordeste já foi celeiro de pequenas produções de café e resgatar essa produção é muito importante para a região. Estamos iniciando um plano de trabalho para a região Nordeste, partindo do micro ao macroambiente até chegar nos grandes produtores, como São Paulo, Minas e Espírito Santo. Vamos definir ações unindo todos os elos da cadeia do café, que é grande e até certo ponto complexa”.
– Carmen Sousa, entusiasta da criação da Rota do Café

Empreendedorismo e turismo de experiência

A ideia do plano é fazer com que o pequeno produtor consiga produzir com qualidade e valor agregado, passando a integrar toda a cadeia produtiva. “A indústria também precisa estar conectada e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil precisa conhecer e se envolver em tudo isso. Temos que explorar o mercado interno, investir em inovação. Inclusive estimular o consumo dos cafés especiais”, defende.

Carmen Sousa explica que o plano de trabalho vai se desenvolver a médio e longo prazo, com expectativa dos primeiros resultados no final de 2024. “A empolgação dos representantes de todos os estados nos leva a acreditar que venceremos esse desafio de criar essa rota de cafés especiais, como um produto terroir, envolvendo produtores, microtorrefação, que faz a torra de lotes reduzidos de cafés de qualidade mais elevada, as universidades e outros parceiros para fortalecer esse trabalho”, atesta.

O consultor credenciado do Sebrae-CE, Ramon Farias, exemplificou a viabilidade da criação da rota do café no Nordeste, a partir de um trabalho desenvolvido há mais de 10 anos na região da Serra do Baturité-CE em que revitalizou o cultivo do café, com o apoio do Sebrae cearense num contexto de inovação, empreendedorismo, sustentabilidade e turismo de experiência. Foram oferecidas capacitações com os produtores, além de consultorias e da participação de produtores em eventos da área.

Ramon lembra que região tem sete microtorrefações, que compreendem a Rota Verde do Café, com turismo de experiência nas propriedades com visitação aos plantios, além de explicações sobre o cultivo e a produção de grãos de cafés especiais. Atualmente 12 marcas do café cearense são atendidas pelo projeto, perfazendo 15 propriedades rurais. “O nosso propósito é promover uma evolução e o desenvolvimento territorial para os produtores inseridos no processo, impactando na qualidade de vida dessas pessoas”, afirma.

“Aqui no Rio Grande do Norte estamos iniciando um trabalho com a implantação de unidades demonstrativas, que vão impulsionar microrregiões do estado em municípios como Jaçanã, Martins, Portalegre e Coronel João Pessoa, além de Cerro Corá e Lagoa Nova, que serão inseridos. A expectativa é aproveitar o potencial dos estados do Nordeste, como o do Ceará que já está consolidado”, conta, lembrando que já existe um diagnóstico prévio apontando para uma produção de qualidade, considerando as condições edafoclimáticas bastante favoráveis ao cultivo dos cafés especiais na região.

Produtor Diogo Castro e a esposa cultivam o café Jaçanã no município homônimo.

O produtor do Café Jaçanã, Diogo Castro, é um dos pioneiros na retomada das pequenas produções de cafés especiais no Rio Grande do Norte e tem grande expectativa em relação à criação da Rota do Café do Nordeste. “Acho que a cafeicultura só tem a ganhar. A união dos produtores em toda a cadeia produtiva certamente trará benefícios a essa cultura. Temos muitas regiões com terroir com uma grande variedade de características de aromas e sabores. Buscamos uma produção de qualidade que resulte numa bebida diferenciada”, afirma Diogo, acreditando que com o apoio do Sebrae e seus consultores, os produtores de café terão condições de avançar no processo de produção com tecnologias e ganho de competitividade.

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/inovacao-e-tecnologia/selo-de-indicacao-geografica-e-exemplo-de-valorizacao-de-produtos-agricolas-brasileiros/Fri, 27 Oct 2023 13:37:50 +0000https://www.emedist.com/?p=17979Quem alimenta o país são os pequenos produtores com as mulheres cada vez mais à frente das propriedades agrícolas, empoderando e valorizando o agronegócio nacional. Este foi o tema central do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA), que aconteceu em São Paulo, nos dias 25 e 26 de outubro. O Sebrae participou, pela primeira vez, como expositor do evento, que, em sua 8ª edição, reuniu mais de 3 mil mulheres para debater segurança alimentar, eficiência energética e legislação ambiental.

A coordenadora de Agronegócio do Sebrae Nacional, Newman Costa. Crédito: Murilo Moser.

“Estou impressionada com o poder e o protagonismo das mulheres no agro”, afirmou Newman Costa, coordenadora de Agronegócio do Sebrae Nacional. No estande da instituição no Congresso, as produtoras rurais que buscavam conhecimento para melhorar a gestão de seus negócios tiveram a oportunidade de interagir e conhecer soluções voltadas para o empoderamento feminino no meio rural. A instituição também participou de discussões sobre o papel desse público no desenvolvimento sustentável do agro brasileiro.

Entre as atrações do Congresso, destaque para a divulgação da pesquisa “Percepção do Agronegócio Brasileiro na Europa”, aplicada pela Onstrategy, no Reino Unido, França, Alemanha e República Tcheca, por iniciativa da Serasa Experian. Entrevistas qualitativas e quantitativas com 590 mil pessoas, entre cidadãos, jornalistas e distribuidores de produtos agrícolas daqueles países, revelaram que o café é o artigo brasileiro mais bem lembrado, enquanto o produto florestal é malvisto.

A noção lá fora de que a agricultura no Brasil não respeita o meio ambiente penaliza a reputação do agro nacional e, consequentemente, do Brasil, alertou a diretora de Operações da Serasa Experian, Daniela Aveiro. Assim como a percepção, apontada pelos entrevistados, de ser um setor que gera prosperidade, mas que não impacta na cidadania do país, uma vez que a riqueza resultante da atividade não seria distribuída.

Conforme apontado por especialistas, para reverter essa impressão negativa, é necessário um amplo trabalho de comunicação no exterior, divulgando as boas práticas sustentáveis e o âmbito do desenvolvimento socioeconômico atrelado ao agronegócio brasileiro. Como modelo, foi citado o suporte técnico oferecido pelo Sebrae no processo de Indicação Geográfica (IG). “A marca Brasil pode ser trabalhada positivamente por meio do agro, por exemplo, com o trabalho genial que o Sebrae faz de denominação de origem”, ressaltou José Luiz Tejon, curador do Congresso.

A coordenadora de agronegócio do Sebrae destacou que, além das indicações geográficas, que certificam a procedência e a qualidade de mais de 110 itens brasileiros – sendo mais de 90 somente do agro – a instituição trabalha a cadeia produtiva de produtos acessíveis, levando em conta as diretrizes da sustentabilidade. “O produto brasileiro também recupera o meio ambiente. Mas falta essa comunicação chegar lá fora. Precisamos mostrar que fazemos a diferença”, concluiu Newman Costa.

Sobre as Indicações Geográficas (IG)

As Indicações Geográficas são um registro que identifica regiões associadas a produtos que possuem características específicas por conta de sua origem. Devido a essa relação com o território e sua herança histórico-cultural, só é possível produzir tais produtos naquela área em questão. Sua função é proteger a região produtora e tornar o produto mais valorizado no mercado. Ela indica, portanto, a procedência do produto, respeitando os saberes e fazeres dos produtores locais, para assim atingir sua alta qualidade. A IG certifica que aquele produto apresenta características de um terroir único, que combina fatores humanos e naturais, para proporcionar ricas experiências sensoriais.

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5Gbet - Café – 5Gbet – 5Gbethttps://www.emedist.com/inovacao-e-tecnologia/produtores-de-cafe-reconhecidos-como-ig-discutem-estrategias-para-expansao-do-modelo-no-pais/Thu, 28 Sep 2023 23:24:33 +0000https://www.emedist.com/?p=17183O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. Segundo dados do governo federal, somente no ano passado, foram exportadas 2,2 milhões de toneladas do produto para 145 países, movimentando cerca de US$ 9,2 bilhões. Apesar do alto valor registrado, esse resultado está abaixo da real capacidade econômica que o café brasileiro pode oferecer. Como uma grande oportunidade para aumentar a renda dos produtores, em especial nas pequenas propriedades rurais, o Sebrae organizou um encontro com as principais lideranças do setor para discutir estratégias de como ampliar a implementação do sistema de Indicação Geográfica, que pode trazer mais valor agregado aos cafeicultores.

O encontro promovido pelo Sebrae aconteceu dentro do 10º Congresso Internacional de Inovação da Indústria, em São Paulo, e marcou o segundo e último dia do evento. Além da participação em painéis e da exibição decases de ecoinovação, a equipe técnica do Sebrae liderou discussões com parceiros e empresas sobre inovação como instrumento de aumento de produtividade.

Hulda Giesbrecht e Bruno Quick. Foto: Augusto Monteiro/ Sebrae,

A gente acredita que os negócios têm que ter valor. Por isso, nossa agenda aqui tem a ver com a produção de inovação. Se não tiver produtividade, diferenciação e valor, o pequeno negócio enfrentará muitas dificuldades.
Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae.

Competitividade no mercado de café

Para a coordenadora de Negócios de Base Tecnológica e Propriedade Intelectual do Sebrae, Hulda Giesbrecht, um pacto em torno da importância das IGs no mercado de café é fundamental para elevar a competitividade e até o conhecimento a respeito da extensa variedade do café brasileiro no mundo. “Por isso é importante a implementação do sistema e a união dos produtores para que possamos mostrar aos compradores esse café diverso, com qualidade e origem do Brasil”, destaca.

A Indicação Geográfica (IG) é uma espécie de “etiqueta de origem” que garante que alguns produtos, como o café, por exemplo, são produzidos em uma região específica e possuem qualidades e características únicas associadas a essa área, como tradições do cultivo, clima, solo etc. Isso ajuda a destacar esses produtos, enquanto promove o desenvolvimento econômico da região e oferece aos consumidores a confiança de que estão adquirindo produtos autênticos e de alta qualidade ligados àquela localidade.

O sistema chega para operacionalizar, de forma conjunta, todos os critérios que definem as características do café de cada região. O produtor, pelo próprio celular, pode inserir as características e informações de seu café, como área plantada, as práticas de plantio, safra, colheita, entre outros aspectos. A ferramenta possibilita que todos os agricultores façam isso de forma padronizada. Essa metodologia permitirá, entre vários ganhos de qualidade, formalizar ainda mais o setor, obtendo dados importantes sobre a produção em uma escala nacional.

Esse conjunto de dados pode ser uma vitrine para os compradores nacionais e internacionais, facilitando a comercialização.
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Negócios de Base Tecnológica e Propriedade Intelectual do Sebrae.

A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Marina Zimmermann destacou que, durante a reunião, foram discutidas estratégias de fortalecimento das IGs de cafés brasileiros em nível nacional e de marketing internacional. “O fortalecimento da origem dos cafés é condição premente para perpetuação da marca de origem do café brasileiro”, afirma.

Atualmente, existem 15 regiões produtoras de café registradas com Indicação Geográfica, sendo que 14 já fazem parte do sistema. A região do Cerrado Mineiro foi a primeira do Brasil a solicitar e obter a certificação, em 2005, tornando-se uma referência. O Café da Canastra foi a mais recente (reconhecida na semana passada) e, por isso, ainda não ingressou no sistema. Há ainda outras 12 localidades que estão no processo de registro. Mas o potencial brasileiro como produtor de café é significativo, com potencial para chegar a um total de 50 regiões.

Um desses produtores é Juan Travain, que também é presidente da Associação dos Cafeicultores da Região Matas de Rondônia. Há dois anos, eles conquistaram o selo de Indicação Geográfica. Presentes em 15 municípios do estado e com mais de 10,4 mil produtores associados, eles representam 90% da cafeicultura da Amazônia. Travain, que também esteve no encontro, reforça a importância do novo sistema de IG como um diferencial para cafeicultura do Brasil em resposta à visão mundial. “Estamos trabalhando em prol da ferramenta e acreditamos que teremos um crescimento e respeito muito rápido da cadeia, pois são pessoas muito sérias envolvidas e isso traz confiabilidade”, revelou.

Cooperação nacional e internacional pela inovação

Comitiva do Sebrae se encontra com a embaixadora da Espanha, Mar Fernández-Palácios. Crédito: Murilo Moser | Sebrae.

Durante todo o Congresso Internacional de Inovação da Indústria, a equipe técnica do Sebrae Nacional discutiu projetos e estratégias de apoio à inovação entre os pequenos negócios com parceiros nacionais e internacionais. Em encontro com a embaixadora da Espanha, Mar Fernández-Palácios, o diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick, explicou os esforços da instituição para desenvolver modelos de negócios sustentáveis e de alto valor agregado. “O Sebrae atua para induzir políticas públicas, superar falhas de mercado, conectar oportunidades e dores e ajudar a revelar uma economia potencial”, explicou, ao apresentar programas como o Inova Amazônia e o Catalisa ICT.

O desafio da sustentabilidade também influencia a prática das grandes empresas. A diretora de Administração e Finanças do Sebrae, Margarete Coelho, explicou à delegação espanhola que o Sebrae está empenhado em internalizar e capilarizar as práticas ESG. Participaram, ainda, o presidente da Câmara Espanhola, Marcos Madureira, o cônsul da Espanha em SP, Pablo Montesino, além das equipes técnicas do Sebrae e da representação espanhola no Brasil.

O debate sobre cooperação pela inovação também contou com representantes do poder público, da iniciativa privada e da academia, que se reuniram com a equipe do Sebrae, liderada pelo diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick. Representantes do BNDES, CNPq, MCTI, Anpei, Finep, Embrapii, Anprotec e ABGI apontaram caminhos para o desenvolvimento econômico por meio da inovação.

“Com a atuação cada vez mais alinhada e consistente de instituições de fomento à pesquisa, financiadores, universidades, governos e o Sebrae, nós podemos elevar o Brasil a um outro patamar, com negócios inovadores e ecossistemas de inovação bem estruturados e prósperos”, afirmou Quick.

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